A PAZ,

O JUGO DESIGUAL.

Jugo é uma armação de madeira para aparelhar dois animais, é um instrumento usado para equilibrar seus impulsos físicos para trabalharem coordenadamente. Por isso Dt 22.10 proíbe que se coloque animais com forças diferentes no mesmo jugo, caso um boi e um jumento fossem colocados debaixo do mesmo jugo o trabalho de arar a terra ficaria inviável, além é claro, de judiar do jumento que é mais fraco que o boi. Por isso que, metaforicamente, jugo deve ser usado por pessoas com o mesmo objetivo. Os casados se chamam um ao outro de cônjuge por se considerarem unidos numa mesma missão. O jugo desigual é uma inviabilidade, é contraproducente.

Usando a figura do jugo, Paulo exigiu da igreja de Corinto uma postura diferente da qual haviam adotado: ‘Não se ponham em jugo desigual com os descrentes’, escreveu o apóstolo (2Co 6.14).

Muito bem, para aproveitar melhor o texto é preciso conhecer pelo menos um pouco do contexto. Por volta da década de 50 d.C. os irmãos da Judéia foram atingidos por vários surtos de fome por causa da perseguição do imperador Cláudio. Comovido com a situação o apóstolo Paulo iniciou uma campanha de socorro, mobilizou as igrejas para levantarem ofertas e socorrem os irmãos da Judéia. Atos 11.28-30 nos informa que Ábago, um profeta de Antioquia havia predito que uma grande fome sobreviria, sendo orientados por Deus por meio do profeta, os discípulos, segundo suas possibilidades decidiram providenciar ajuda para os irmãos que viviam na Judéia. Os líderes de Jerusalém pediram para Paulo não se esquecer dos pobres (Gl 2.10). A notícia sobre a arrecadação logo se espalhou e várias igrejas comovidas se engajaram neste ministério do socorro. Os irmãos de Corinto tendo ouvido como os cristãos da Galácia haviam se engajado na ajuda suplicaram para poderem participar da contribuição (1Co 16.1-4 / 2Co 8.1-7). O problema é que nestes tempos Paulo e a igreja tiveram uma desavença, a segunda carta de Corinto é uma defesa apostólica, onde Paulo se sente obrigado a falar sobre suas prerrogativas apostólicas para resolver a querela. E tudo leva a crer que por causa desta desavença Corinto estancou a ajuda para os irmãos (2Co 6.12-13). É neste contexto que lemos sobre o jugo desigual (2Co 6.14). O apóstolo citou cinco exemplos de jugo desigual (2Co 6.14-16):

1 – Justiça e Maldade.
2 – Luz e Trevas.
3 – Cristo e Belial.
4 – Crente e Descrente.
5 – Templo de Deus e Ídolos

Se o jugo é uma ferramenta para equilibrar forças de iguais, é impossível estarem debaixo do mesmo propósito pessoas que amam a justiça e pessoas que amam a maldade. O justo é um tipo de gente e o maldoso é outro tipo de gente. Vale o mesmo para a luz e as trevas e os outros exemplos. Ora, havia um acordo de socorro, e os que precisavam da ajuda contavam com o auxílio que deliberadamente fora combinado (2Co 8.3). A questão não é a quantidade que cada um ofertaria, pois ‘quem recolhe muito não tem demais, e não falta para quem recolhe pouco’ (2Co 8.13-15). A questão é do compromisso que fora acordado e o justo não abandona os acordos que faz por mero egocentrismo, são pessoas maldosas e vingativas que agem desonestamente. Os justos vivem na luz e honram o que combinaram, os desleais escondem-se nas trevas do próprio egoísmo. Os primeiros são de Cristo, os últimos de Belial. São os crentes que não abandonam o exercício da misericórdia e os descrentes que fazem de seus ventres seus próprios deuses. Uns são templo de Deus, outros o próprio ídolo.

É o injusto que envia um trabalhador do Evangelho para o campo missionário e depois o abandona na primeira divergência de opinião.

É o que ama as trevas que põe a mão no arado e depois desiste de continuar.

São os de Belial que fazem missão apenas para justificar sorrateiramente o zelo evangelístico quando não tem intenção de suportar as dificuldades do campo de trabalho.

Descrentes não honram a palavra empenhada e empurram necessitados para a vala do desespero financeiro.

São os ídolos, os que amam a si mesmo que não avaliam o prejuízo que causam sendo infiéis nos negócios.

Quando crentes e descrentes estão na mesma missão é semelhante um boi e um jumento usando o mesmo jugo. É um jugo desigual o trabalho onde estão reunidos os que amam esse mundo e os que amam o Reino de Deus.

É jugo desigual quando um filho de Cristo faz acordo com um filho de Belial. Os filhos das trevas não têm o menor pudor em rasgar seus contratos.

As dificuldades sempre ocorrerão em qualquer empreitada, os filhos de Cristo oram para que a graça triunfe, os filhos de Belial agem no segredo da calada da noite.

Sem dúvida, não pode a justiça e a maldade colocarem o mesmo jugo. O trabalho não terá êxito.

QUE DEUS O ABENÇOE….